Cobrir a noite de Halloween em Nova York é entrar em um universo totalmente diferente da rotina diária da cidade.
Em 31 de outubro, a 52ª edição da Village Halloween Parade tomou conta de Manhattan e provou por que é considerada a festa de Halloween a céu aberto mais criativa e famosa do planeta.
Em vez de uma parada formal ou rígida, o que se vê nas ruas é uma enorme celebração de arte popular, onde qualquer pessoa que esteja usando uma fantasia caprichada pode entrar no desfile e se misturar aos artistas e músicos locais.
A tradição começou lá em 1974, com um artista de rua e fabricante de máscaras chamado Ralph Lee, que decidiu reunir alguns amigos e vizinhos para desfilar pelo Greenwich Village.
Mais de cinquenta anos depois, o evento cresceu a ponto de reunir dezenas de milhares de pessoas marchando fantasiadas e uma multidão de quase dois milhões de espectadores que lotam as calçadas, os terraços dos prédios e as entradas das estações de metrô para ver o show passar.
A nossa cobertura de campo focou em mostrar como essa festa mantém o espírito de vizinhança viva, mesmo sendo gigantesca.
As pessoas não vão lá só para ver bonecos assustadores; elas vão para rir da criatividade alheia, tirar fotos de figurinos impecáveis e entrar no clima divertido que toma conta das esquinas.
Nova York respira humor e imaginação nessa noite, misturando lendas clássicas do terror com piadas sobre a rotina da cidade, a política e as séries de TV que bombaram durante o ano.
Onde aconteceu a 52nd Annual NYC Village Halloween Parade

O trajeto oficial da 52ª edição seguiu o seu clássico corredor pela Sixth Avenue (Sexta Avenida), também conhecida como Avenue of the Americas.
A concentração dos artistas, das marionetes gigantes e dos blocos com carros de som começou na altura da Spring Street, bem no limite do SoHo, e foi se organizando pelas ruas transversais até cruzar a Houston Street, que é o portão de entrada oficial para a avenida principal.
A partir dali, o desfile seguiu em linha reta subindo em direção ao norte até a 16th Street, cortando todo o bairro histórico do Greenwich Village.

As esquinas mais movimentadas da noite foram as da West 4th Street e da Waverly Place, onde o público começou a guardar lugar nas grades de contenção ainda no final da tarde.
Os prédios antigos de tijolinho, os postes de ferro e as árvores do Village funcionam como um cenário natural perfeito para uma noite de monstros, vampiros e super-heróis.
A dispersão aconteceu de forma rápida perto da 16th Street e da 17th Street, já quase chegando à Union Square.
Esse ponto de encerramento é muito prático tanto para quem trabalhou na cobertura quanto para o público geral, já que tem acesso imediato a várias linhas de trem.
Depois que o cortejo oficial terminou na avenida, a festa simplesmente se espalhou pelos bares, restaurantes de esquina e calçadas do Village, mantendo as ruas movimentadas até altas horas da madrugada.
Como foi o 52ª desfile de Halloween em NY

A parada começou pontualmente às sete da noite, sob um vento frio típico de outono que deixou a atmosfera de suspense ainda mais legal.
A abertura foi feita pelas famosas marionetes gigantes, que são a marca registrada da Village Parade. São esculturas imensas feitas de papel machê, tecido e arame, controladas por equipes de voluntários que usam cordas e varas de sustentação para fazer os monstros andarem, baterem asas e interagirem com quem está assistindo na calçada.
O ritmo do desfile foi puxado por mais de trinta bandas ao vivo espalhadas ao longo da avenida. Tinha grupos de percussão caribenha, baterias com ritmo de samba tocadas por músicos vestidos de esqueleto, fanfarras de jazz com metais brilhando sob as luzes dos refletores e conjuntos folclóricos que tocaram músicas tradicionais sem parar.
Essa mistura de sons faz com que as pessoas nas calçadas não fiquem paradas apenas assistindo: todo mundo canta junto, dança e brinca com quem está passando pela rua.
A parte mais divertida da cobertura jornalística foi acompanhar a ala dos foliões comuns. Para participar do desfile oficial, a única regra é estar fantasiado de verdade — camisetas temáticas simples não passam pela triagem da entrada na altura da Canal Street. Por causa dessa regra, o nível de dedicação do público novaiorquino impressiona.
Vimos grupos inteiros coordenados recriando cenas clássicas do cinema, pessoas vestidas de vagões de metrô com grafite, réplicas de fatias de pizza de Nova York e maquiagens tão bem acabadas que pareciam de sets de filmagem de Hollywood.
Toda essa operação gigantesca transcorreu de forma muito tranquila e segura. A polícia de Nova York organizou corredores para travessia de pedestres em cruzamentos estratégicos e garantiu que o público mantivesse o espaço livre para a passagem dos blocos.
A equipe municipal de limpeza urbana começou o trabalho logo atrás do último contingente, garantindo que as pistas estivessem limpas e liberadas para os carros já na manhã seguinte.
O olhar de quem viveu a noite de perto

Estar na rua cobrindo a 52nd Annual NYC Village Halloween Parade como repórter de campo é entender como Nova York é capaz de se reinventar o tempo todo.
Em vez de uma comemoração fechada em casas ou festas privadas, a cidade escolhe transformar sua avenida principal em uma passarela aberta de arte e bom humor.
Para quem acompanha o blog, documentar esses detalhes mostra que o verdadeiro encanto da metrópole está na energia espontânea dos seus moradores e na forma calorosa com que eles recebem quem vem de fora para celebrar juntos.







