Chinatown em Nova York: roteiro completo pelo bairro

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A Chinatown de Nova York é sinônimo de bugigangas, produtos falsificados, patos pendurados nos mercados e muita gente pelas ruas. Certo? Errado!

A maior comunidade de chineses, fora do oriente, vai muito além de estereótipos, e hoje é símbolo de cultura e resistência em Nova York.

Claro, se você for para comprar souvenirs e produtos falsificados, vai encontrar dezenas de opções pelas galerias da Canal Street, e isso não é novidade para ninguém e a maiorias dos turistas tem apenas essa intenção.

Nesse post, quero mostrar uma Chinatown diferente, que consegue manter suas raízes, mesmo com a agressiva especulação imobiliária e que tem muita coisa legal para visitar e conhecer.

 


CHINATOWN


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Para mim, esse é um dos passeios mais legais para fazer caminhando, para aproveitar cada cantinho das ruas estreitas, com letreiros antigos e que nem parece que você está nos Estados Unidos, porque a língua local é o chinês, mandarim, cantonês e outros dialetos.

Se fosse para resumir Chinatown, eu diria: imagine uma Times Square muito antiga, onde todas as fachadas das lojas e restaurantes estão com os letreiros em chinês e não são iluminados. Pronto! 

Não sei por quanto tempo isso vai resistir  porque os efeitos do crescimento e da gentrificação estão cada vez mais evidentes nos bairros vizinhos, e essa região fica em um lugar estratégico da cidade, que logo a especulação imobiliária vai chegar ainda mais forte.

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Esse fenômeno de expulsar lentamente as pessoas e modificar a cultura local sempre aconteceu em Nova York, e os exemplos mais recentes são Brooklyn e Harlem, e se torna inevitável com o crescimento da cidade.

Outro agravante para decadência de Chinatown foi o atentado de 11 de setembro de 2001, que influenciou de forma negativa o comércio local, com fechamento de várias lojas tradicionais e falência de vários restaurantes.

Por isso, se você quer ter uma experiência diferente, inclua no seu roteiro uma visita, sem pensar em compras de souvenirs, e sim no lado histórico do local.

Nesse meu roteiro, visitei os lugares mais emblemáticos para mostrar um lado mais cultural de Chinatown, para  aproveitar a essência do lugar.

 


ROTEIRO EM CHINATOWN


baz bagel

O meu roteiro começa às 7h da manhã, antes da abertura das lojas, por isso as fotos estão com as ruas vazias e sem a movimentação frenética de turistas e vendedores. 

Essa estratégia foi proposital para registrar as fotos mais limpas e focar nas pitadas históricas.

Para começar, desci na estação Canal Street do metrô e tomei café da manhã na Baz Bagel, uma lanchonete especializada em bagel que já indiquei no blog, que era um dos poucos estabelecimentos abertos depois das 6h da manhã.

A curiosidade da Baz Bagel, é ela fica bem na divisa entre Little Italy e Chinatown. Coisas que só Nova York pode proporcionar.

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Depois de alguns metros, fui até a Canal Street para o ponto de encontro oficial, que tem o mapa de todas as ruas de Chinatown.

Ali foi meu ponto inicial para o roteiro, que vou detalhar abaixo.

Vamos lá! 🙂


1) Manhattan Criminal Court


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Do ponto de encontro, caminhei pela Baxter Street, para visitar o “Manhattan Criminal Court Building”.

A corte criminal de Nova York não está ali por acaso.

Antigamente, existia uma antiga Casa de Detenção ao lado, onde os criminosos eram levados, após serem julgados.

Hoje, a detenção não existe mais, só que a corte está a todo vapor, e é aberta ao público para visitação.

Por isso, a região está sempre cheia de policiais e se torna um dos lugares mais seguros da cidade.

A curiosidade é que a corte serviu de cenário para as séries Law & Order, The Good Wife e Suits.

 


2) Columbus Park


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O Columbus Park é especial.

Pela manhã fica cheio de idosos chineses praticando “Tai Chin Chuan”.

O silêncio só é interrompido pela música de meditação que acompanha os movimentos.

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O mais interessante que onde o parque está localizado era conhecido como “Five Points”, retratado no filme “Gangues de Nova York”, um dos lugares mais violentos da cidade no século XIX, lugar o qual os crimes e assassinatos entre gangues eram comuns na junção de cinco ruas.

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O Columbus Park foi construído em 1911, em cima dessa antiga área, acabando de vez com essa marca negativa na cidade e se tornou um dos símbolos de Chinatown.

 


3) Mosco Street


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As cinco ruas do “Five Points” continuam por lá, e o meu destaque vai para a Mosco Street.

E nela que fica o tradicional restaurante “Fried Dumpling”, com deliciosos bolinhos de porco fritos a preços que vão de US$ 1 a US$ 5 dólares.

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Como eram 8h da manhã, não encarei essa fritura, mas já tive outras oportunidades e recomendo! 🙂

 


4) Mott Street


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A subida da Mosco Street termina na Mott Street, a rua oficial das muambas, dos souvenirs das lojas de doces e tudo mais.

Muito mais que isso, a Mott Street abriga a “Church of the Transfiguration”.

Construída em 1801, a igreja é símbolo da imigração em Nova York, com influência de italianos e irlandeses e com a doutrina Católica Romana.

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Só que Chinatown engoliu a região, e a igreja se tornou o maior reduto católico chinês do ocidente, com missas em Inglês, Chinês, Mandarim e Cantonês.

Não deixe de tirar belíssimas fotos da igreja, com o One World Trade Center como plano de fundo.

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Na Mott também tem a “Aji Ichiban Candy Shop”. 

Tradicional loja de doces, balas, chicletes e outras especiarias chinesas, que dificilmente você vai encontrar em algum lugar.

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Claro que tem umas coisas estranhas como bala de wasabi, entre outras coisas. Vale pela curiosidade.

 


5) Pell Street


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Com fachadas das lojas coloridas, escritas em chinês, escadas de incêndio que mais parecem que vão cair a qualquer momento, tudo amontoado, sem muita organização, essa é a Pell Street. A cara de Chinatown!

É de espantar o número de barbearias, cabeleireiros, restaurantes, tudo no mesmo lugar, dividindo espaços minúsculos. Eu acho incrível! 🙂

 


6) Doyers Street


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Sabe aqueles cenários de filme. É o que sinto na Doyers Street.

A rua é uma curva, com muitas lojas, uma do lado da outra, a maioria de cabeleireiros chineses, que dividem o espaço e deixam essa pequena rua colorida, com muitas histórias e curiosidades.

O prédio antigo da foto, ao lado da farmácia de manipulação, com a fachada abandonada e escadaria verde, foi o primeiro teatro chinês dos Estados Unidos, aberto em 1893.

A história durou muito pouco, porque a região era muito violenta, com vários assassinatos, e o teatro fechou as portas em 1901.

Hoje em dia, não consegui definir o que tem neste prédio.

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Outro local histórico da Doyers Street é a “Nom Wah Tea Parlor”.

Aberta em 1920, é a primeira casa de chá chinesa e ainda está aberta.

A curiosidade é que sua história ainda é mantida e a casa de chá é administrada pela mesma família desde a década de 40.

 


6) Bowery Street – Kimlau Square


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No final da Doyers Street, começa a Bowery Street, rua que corta todo o lado leste de Chinatown e uma das mais movimentadas do bairro.

Na Bowery, logo de cara tem a praça “Benjamin Ralph Kimlau”, homenagem a um tenente chinês-americano que perdeu a vida quando seu avião foi derrubado durante uma missão em 1944.

A praça tem como destaque o monumento “Kimlau Arch”, homenagem a todos os combatentes chineses-americanos que lutaram pela liberdade e pela democracia.

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O local também tem a estátua de Lin Ze Xu, que pensei que fosse algum imperador famoso da China ou algo semelhante, mas fui saber que era um político da região de Fuzhou.

A estátua foi erguida em 1997 em homenagem aos primeiros moradores de Chinatown, que falavam cantonês e eram da mesma região do político.

O mais interessante dessa região é o contraste entre o antigo e a modernidade, com os imponentes prédios do Financial District invadindo as fotos.

 


7) Bowery Street – Confucius Statue


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Continuei minha caminhada sentido norte de Manhattan, para finalizar meu roteiro por Chinatown, sem antes passar pela Confucius Plaza, com a belíssima Confucius Statue.

Construída em 1976, a estátua de 5 metros é uma homenagem ao filósofo chinês.

 


8) Bowery Street – Citizens Savings Bank


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Construído em 1924, esse é um dos prédios históricos de Nova York.

Com uma belíssima cúpula no estilo Beaux-Arts, o prédio de 33 metros de altura mantém a estrutura original, e hoje é uma agência do HSBC.

Mais um exemplo do contraste entre a modernidade e o antigo, com um prédio espelhado ao lado e o One World Trade Center ao fundo.

 


9) Canal Street – Mahayana Buddhist Temple


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Na junção entre a Bowery Street e a Canal Street, está localizado o “Mahayana Buddhist Temple”, considerado o maior da cidade.

Para entrada no templo é cobrada uma doação de US$ 1 dólar.

Lá tem uma belíssima estátua do Buda, com 5 metros de altura, toda construída em ouro.

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O tempo foi aberto em 1997.

A curiosidade é que antes da construção, o mesmo prédio era um cinema pornô. Coisas que só acontecem em Nova York!

 


10) Manhattan Bridge Arch and Colonnade


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Meu roteiro termina aos pés da Manhattan Bridge.

De longe, a entrada da ponte não parece tão grande, mas quando vai chegando mais perto percebe-se o seu tamanho, que fica até difícil enquadrar na foto.

A curiosidade é que o mesmo arquiteto da Manhattan Bridge também foi o responsável pelo desenho da incrível Biblioteca Pública de Nova York que fica no Bryant Park.

A ponte não tem o mesmo charme da Brooklyn Bridge para ser atravessada a pé, só que é muito movimentada, principalmente pelos carros e ônibus, que não param um segundo.

 


MAPA DAS ATRAÇÕES


Para facilitar coloquei todos os pontos visitados nesse roteiro no mapa. Basta clicar no marcador para saber a localização da atração: 


 

Terminei esse roteiro com o espírito renovado, porque conheci uma região de uma forma diferente, muito além de bugigangas e produtos falsificados que estava acostumado.

Apesar de bagunçada, Chinatown é segura e deve estar obrigatoriamente no roteiro de todos que vão para Nova York.

O mais engraçado que, enquanto estava fotografando, fui cumprimentado por várias senhoras chinesas que passavam pelas ruas e perguntavam sobre meu trabalho, por causa das câmeras fotográficas nas mãos e no pescoço. 🙂

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Recomendo fazer a visita na parte da manhã, para aproveitar a tranquilidade e caminhar com calma pelas ruas e curtir esse pouquinho de história que resta no sul de Manhattan.

Gostou do roteiro? Tem alguma dúvida? Deixe um comentário.

🙂


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Jornalista de formação e profissional de marketing com master pela ESPM de São Paulo. Criador e redator no blog Dicas Nova York, coleciona experiências e histórias marcantes não só em Nova York, sua cidade, mas também de leste a oeste dos Estados Unidos. O blog é uma paixão antiga e o espaço é utilizado para compartilhar informações e experiências na cidade, para que todos conheçam a Big Apple de um jeito diferente e descontraído.

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